Sarah Jessica Parker
Não sei se é da quadra natalícia e de todo este espírito mas hoje apetece-me pegar no telefone e ligar-te.
Sei que vou acabar por não o fazer porque o tempo encarregou-se de tornar esse simples acto em algo que sei me faria sentir culpada e ridícula. Também sei que se o fizesse tu estarias do outro lado, como sempre, e teríamos daquelas conversas intermináveis, que eventualmente acabariam em choro ou zanga. Connosco nunca há, se é que alguma vez houve, meio termo.
Somos o oito ou o oitenta, somos inconstantes e refilões e no fundo não gostaríamos de ser de outra forma. Exigimos demais um do outro, sempre o fizemos, e exigimos de nós mesmos. E é esse nosso espírito que nos faz ver a vida um do outro à distancia sem nunca interferir mas sempre com aquela curiosidade, que sabes tão bem existe, e quantas não foram as vezes que nos últimos dois anos te descaíste e o admitiste? pequenos momentos que me fazem acreditar que no fundo não mudaste assim tanto.
o telefone continua em cima da mesa, eu continuo a resistir-lhe e gosto de pensar que do teu lado algo semelhante se passa.
Não vou ligar, pelo menos hoje não.
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